Viajar para Nova York quase sempre inclui uma visita a algum dos museus mais famosos da cidade. Seja em um passeio pelo colossal acervo do MET, onde as obras em exposição percorrem milhares de anos — da pré-história ao Império Egípcio, e dos itens medievais às aclamadas obras dos mestres dos pincéis europeus.
O MoMA é outro clássico, com galerias que exibem uma pluralidade de trabalhos que variam em material, formato, ideologia e estética, além de obras de Van Gogh, Dalí, Picasso e mais. Já para quem viaja em família, é difícil deixar de fora as fascinantes representações de animais, fósseis e vestígios milenares expostos no Museu de História Natural.
Mas com Nova York sendo a cidade com mais instituições artísticas do continente americano, a lista pode se tornar mais variada, com opções que fogem do tradicional quadro emoldurado na parede. Conheça a seguir seis museus que funcionam como alternativa, ou complemento, na hora de explorar a cena cultural nova-iorquina.
Tenement Museum
Imagine entrar em uma antiga residência e conhecer de perto a história das primeiras gerações de imigrantes que chegaram a Nova York. Essa é a proposta deste museu no Lower East Side, que oferece oito opções de tours guiados pelos apartamentos de famílias alemãs, chinesas, porto-riquenhas e irlandesas.
A instituição ocupa dois prédios construídos durante a metade dos anos 1800 e abre as portas aos visitantes em uma aula de história sobre a vida dos antigos moradores do endereço, com a recriação de espaços e utensílios reais utilizados em seu dia a dia. As opções de tour variam em período, prédio e temática, apresentando de forma interativa a adaptação de famílias estrangeiras à nova cidade e as condições de vida precárias da época.
Anota: para uma experiência mais completa, o tour “100 Years Apart” inclui a visita aos dois prédios do museu, permitindo comparar o apartamento de uma família chinesa dos anos 1980 com o de uma família alemã da década de 1880.
Poster House
Um museu dedicado aos pôsteres, e não exclusivamente aos de filmes. Antes do cinema dominar esse formato de propaganda, os pôsteres já eram amplamente usados na divulgação de diferentes negócios desde o início do século XX, com divulgação de áreas como turismo, aviação, preservação ambiental, Jogos Olímpicos, anti (e pró) guerra, e mais.
Em suas três salas de exposição, o museu se reinventa a cada semestre trazendo peças de diferentes épocas e temáticas, oferecendo uma análise aos estilos de design e mensagens por trás de cada pôster.
Anota: à direita da porta de entrada é possível recriar pôsteres históricos com o auxílio de uma câmera e computador, promovendo uma maior aproximação do público com a obra em questão. A visita é gratuita às sextas-feiras.
MET Cloisters
Para lá da rua 190, distante do caos de Midtown, está a filial pouco falada do MET com foco na arte europeia medieval. Visitar o espaço é como fazer uma viagem no tempo, já que o edifício foi construído a partir de diferentes elementos arquitetônicos trazidos de capelas e mosteiros europeus danificados durante a Primeira Guerra Mundial – são pátios abertos, torres de tijolos, colunas de mármore, jardins internos e vitrais que ajudam a compor a atmosfera do lugar.
Sem falar do acervo com obras que datam do século 12 ao 15, muitas de temática religiosa, com destaques para esculturas em madeira e pedra, tapeçarias históricas, manuscritos ricos em detalhes e objetos de marcenaria impressionantes.
Anota: a atração fica afastada do centro de Manhattan, a cerca de 30 minutos de metrô da Times Square. Vale aproveitar a localização e ainda conhecer o Fort Tryon Park, que beira o rio Hudson e encanta com sua centenária passarela arqueada.
New York Transit Museum
Instalado em uma estação desativada no Brooklyn, o espaço preserva a história do metrô da cidade e apresenta as evoluções tecnológicas que surgiram ao longo das décadas. O primeiro andar contextualiza o início das operações, em 1904, com antigas catracas, cabines de bilhetes, uniformes de funcionários e até as máquinas usadas para escavar os túneis.
Mas o verdadeiro destaque está no segundo subsolo, onde ficam estacionados mais de 15 vagões abertos à visitação. Entre eles, estão os antigos bondes que circulavam antes do século 20, construídos em madeira e com bancos de palha, além de diversos vagões que operaram nas décadas seguintes, mostrando as mudanças de cores, layouts e estilos de cada época.
Anota: Aos finais de semana o espaço tende a ficar mais cheio devido às visitas de família com crianças.
Museum of the Moving Image
Saindo de Manhattan, a instituição localizada no Queens preserva um pouco de tudo relacionado à televisão e cinema. Em seus dois andares, o acervo guarda itens que datam do século 19, seguindo a era do cinema mudo, no século 20, até os dias atuais. Entre os destaques estão roteiros, figurinos, maquetes, animatrônicos, próteses e objetos de cena de inúmeras produções, além de uma área dedicada a centenas de itens de merchandising, como discos, brinquedos, utensílios domésticos e acessórios temáticos.
Para aprofundar a experiência na sétima arte, o segundo andar convida o visitante a explorar laboratórios de pós-produção, onde é possível dublar e editar trechos de clássicos do cinema, mixar som e produzir efeitos especiais. O andar também apresenta a evolução tecnológica do audiovisual, com um variado acervo de câmeras, televisores, microfones, além de artefatos históricos como o zoopraxiscópio, o primeiro dispositivo a projetar imagens em movimento.
Anota: o museu recebe exposições temporárias ao longo do ano, dedicadas a figuras e produções importantes da indústria. Atualmente, estão em cartaz uma mostra em homenagem a Jim Henson, criador dos Muppets e de Vila Sésamo, e outra dedicada aos objetos icônicos da franquia Missão: Impossível.
National Museum of the American Indian
Os povos nativo-americanos têm parte de suas tradições, histórias e costumes preservados neste museu, que integra a renomada instituição Smithsonian, de Washington, DC. O edifício foi sede da alfândega dos Estados Unidos no começo de 1900 e impressiona com a arquitetura já no salão de entrada, onde os visitantes são introduzidos à época das navegações e colonização do continente americano, com mapas, pinturas e cartas.
Na sequência, estão expostas esculturas, vestimentas, armas e dezenas de outros itens referentes a mais de mil culturas de indígenas americanos, incluindo artefatos dos Tupi-guaranis e Maias. Outro destaque é a exposição permanente “Native New York”, que apresenta, por meio de sons e imagens, como era a vida dos povos originários que habitavam as terras onde hoje está a cidade de Nova York.
Anota: A visita é gratuita todos os dias da semana, e o museu está localizado logo atrás da escultura do touro de Wall Street.
City Museum of New York
Subindo em direção ao Harlem, à direita do Central Park, está o museu que reúne e exibe fragmentos da história da maior cidade dos Estados Unidos. Estão ali objetos de diferentes eras que deram forma à identidade cultural de Nova York, com mapas, mobiliário, manuscritos e modelos de navios holandeses que participaram da colonização da região no século 17.
Outra parte da coleção revisita, por meio de fotografias e cartazes, períodos marcantes de ativismo, como as lutas contra a escravidão, os movimentos trabalhistas e, mais recentemente, o Black Lives Matter. Há também seções dedicadas ao nascimento da Broadway a marcos artísticos que colocaram a cidade entre os grandes polos mundiais de entretenimento e cultura. No subsolo, a instituição ainda abriga uma sala de projeção que apresenta o curta-metragem Timescapes, exibindo de forma imersiva os mais de 400 anos de história da cidade.
Anota: além das diferentes mostras temporárias ao longo do ano, o museu recebe em todo inverno o Gingerbread NYC, uma exibição temática que recria locais famosos da cidade com de biscoitos de gengibre — e cujo aroma é parte marcante da experiência.